quinta-feira, 5 de junho de 2014

Homem Comum, Homem Aranha


O apelo do Homem-Aranha sobre o público jovem parece eterno.  Desde seu primeiro aparecimento na revista  Amazing Fantasy n°15 (agosto de 1962), a criação de Stan Lee (roteiro) e Steve Ditko (desenhos)  cativou os corações dos leitores – e é fácil de entender por que.  Peter Parker, o personagem principal, era um jovem estudante magro e inseguro, cheio de problemas, que admirava as garotas à distância e sofria zombarias dos valentões da escola.  Depois de um acidente com radiação, ele adquire poderes sobre-humanos e, no princípio, decide utilizá-los apenas em benefício próprio, até que uma grande tragédia faz com que ele tome contato com suas responsabilidades - daí a icônica frase, decorada por todos os fãs: “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.
O personagem, portanto, não era um cientista, um agente secreto, um astronauta ou um policial, mas apenas um garoto comum – o que facilitou a identificação com o público.  Além disso, ao contrário de outros heróis, a máscara do Homem-Aranha cobria o rosto todo, de modo que qualquer jovem, independendo de sua origem étnica, poderia se ver naquele uniforme.  Numa época de considerável segregação racial, seria difícil que um rapaz negro se identificasse com o louro Thor, mas todos poderiam se ver com o traje enigmático de Peter Parker.    
Além de tudo, Peter precisava se preocupar com sua Tia May, uma senhora já bem idosa, com diversos problemas de saúde.  Em várias ocasiões, o herói precisava conciliar sua vida de estudante, sobrinho, namorado e fotógrafo com suas atividades de combate ao crime.
Muitos jovens tímidos e inseguros gostariam de ter um poder secreto: algo que compensasse as frustrações do cotidiano e a falta de amigos na escola.  Certamente, seria fascinante pensar: “vocês podem achar que não sou ninguém, mas eu sei que sou importante.”  O irônico é que todos nós somos importantes, de um jeito ou de outro.  E, além disso, todos temos alguma habilidade, algum talento, mesmo que não o tenhamos descoberto.  É possível que, dentro de cada garoto tímido exista o potencial para o surgimento de um cientista, um músico, um atleta, um pai carinhoso.

E você, leitor?  Já descobriu o seu “poder” ?   
A primeira aparição do Homem-Aranha.
Amazing Fantasy n°15 (agosto de 1962)
Capa de Jack Kirby (desenho) e Steve Ditko (arte-final).


Este texto será publicado, em breve, na minha coluna no portal Por Dentro da Mídia.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Neal é uma Lenda Viva


Neal Adams nasceu em 15 de junho de 1941.  Numa entrevista ao cineasta Kevin Smith[1], ele falou sobre as alegrias de sua infância - incluindo sua grande habilidade para o desenho - e também sobre as dificuldades financeiras de sua juventude, quando às vezes ele e a mãe não tinham nem o suficiente para a alimentação.  Sabendo, desde cedo, que uma Universidade estaria fora de questão por motivos financeiros, ele cursou o ensino médio numa escola técnica: a School of Industrial Art, onde aperfeiçoou suas técnicas de desenho e aprendeu pintura e ilustração, muito usadas na publicidade – ainda mais naquele tempo.  Ao tentar uma chance nos quadrinhos, foi rejeitado pela DC e, em 1960, arranjou trabalho com a Archie Comics.  Depois passou a trabalhar com publicidade  e, em 1962 desenhou tiras de jornal para a série Ben Casey (adaptação de um personagem de TV).  Em 1967, já estava fazendo capas para a DC em títulos como Action Comics (que era o carro-chefe da editora) e  Superman's Girl Friend, Lois Lane, além de desenhar o Desafiador (Deadman) e fazer trabalhos para a Marvel, como a capa de X-Men 63, de dezembro de 1969. 

Uma das contribuições de maior impacto de Neal Adams para os quadrinhos foi sua abordagem do Batman, em parceria com Denny O'Neil. 
Uma das capas mais célebres do artista.
Batman n° 251 - Setembro, 1970
Arte: Neal Adams

Naquele tempo, o grande público via o personagem sob o viés humorístico da série de TV, que fez grande sucesso, mas Neal e Denny resolveram voltar às origens mais sombrias do “cruzado de capa”.   O lançamento de Detective Comics 395 (janeiro de 1970) foi um marco na história dos quadrinhos por ser a estreia de Neal no personagem.  

Mais ou menos na mesma época, Neal Adams e Denny O’Neil reuniram os dois heróis “verdes” da DC: Lanterna Verde e Arqueiro Verde - e iniciaram uma das mais relevantes sagas dos quadrinhos.  A revista Green Lantern passou a chamar-se Green Lantern/Green Arrow a partir do n° 76, e foi com esse título que veiculou as aventuras dessa dupla improvável: o conservador Lanterna e o revolucionário Arqueiro.  Juntos, os dois percorreram os Estados Unidos, frequentemente discutindo por causa de suas ideologias conflitantes.   As histórias lidavam com temas controvertidos, como o perigo do uso de drogas e o racismo.  Costuma-se dizer que foi com essa série que os quadrinhos chegaram à maturidade. 
Green Lantern/Green Arrow n°76
Abril de 1970
Arte de Neal Adams
Sobretudo, Neal Adams foi um dos grandes defensores dos interesses de Jerry Siegel e Joe Shuster – os criadores do Superman, que venderam os direitos sobre o personagem em 1938, quando ainda eram bem jovens, e foram vendo os empresários do ramo fazerem fortunas com sua criação enquanto eles próprios ficaram em séria situação financeira.  Na década de 70 do século passado, a dupla estava na faixa dos sessenta anos; Siegel era empregado dos Correios e Shuster, praticamente cego, mal conseguia trabalhar e vivia no apartamento do irmão[2] (ou num asilo, conforme a Wikipedia).  Não tinham assistência médica ou aposentadoria assegurada, e Superman rendia milhões.  Não receberam nada pelo filme Super-Homem (1978), enquanto o ator Marlon Brando recebeu 3,7 milhões de dólares por duas semanas de filmagem, e o escritor Mario Puzo ganhou 250 mil dólares pelos dois primeiros rascunhos do roteiro.  O personagem criado há tanto tempo dava dinheiro a muita gente, mas não a seus criadores.  O futuro parecia sombrio.  No entanto, graças ao esforço conjunto de várias pessoas do ramo – sempre com grande apoio e militância de Neal Adams – Siegel e Shuster conseguiram celebrar um acordo com os titulares dos direitos sobre o personagem e puderam passar de forma confortável seus últimos anos.

Por essas e por outras, Neal Adams é uma lenda viva dos quadrinhos.





[1] Podcast Fatman on Batman – números 54 e 55.
[2]JONES, Gerard. Homens do Amanhã. São Paulo: Conrad, 2006.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O “X” da Questão

X-Men n° 1
Setembro de 1963
Capa de Jack Kirby e
Sol Brodsky


Na década de 1960, os leitores de quadrinhos foram apresentados a personagens que ganharam superpoderes por causa de acidentes - como Peter Parker (Homem-Aranha), Matt Murdock (Demolidor) e Bruce Banner (Hulk).   Stan Lee, co-criador de todos esses personagens, pensou então em criar heróis que já nasceram com superpoderes. Assim começa a emaranhada história dos X-Men.

A revista original (X-Men n°1) foi lançada em setembro de 1963, fruto de mais uma parceria entre Stan Lee e Jack Kirby, e teve histórias inéditas até o n°66.  As edições de n° 67 (dezembro de 1970) ao n° 93 (junho de 1975) trouxeram reprises.   Muitos anos depois (entre dezembro de 1999 e setembro de 2001) o excelente John Byrne criou a série limitada The Hidden Years, contando o que estava acontecendo à equipe durante aquele período. 

Giant-Size X-Men n°1
Maio de 1975
Capa de Gil Kane, Dave Cockrum
e Danny Crespi
Voltemos à década de 1970.  Em maio de 1975 saiu Giant-Size X-Men #1, inaugurando uma nova fase, e um jovem chamado Chris Claremont começou a escrever a partir da edição #94 (julho de 1975).  A expressão “Uncanny” começou a ser utilizada na capa no n°114, e o título foi oficialmente adotado no n°142.  Todas as edições anteriores foram retroativamente designadas Uncanny X-Men, para fins de catálogo (e confusão de nossas cabeças).

Chris continuou  trabalhando na revista  até o n°279 (agosto de 1991). Foram cerca de 16 anos ininterruptos à frente do título, fazendo com que o autor entrasse para o livro dos recordes.  Dois meses depois, em outubro de 1991, foi lançado um novo título chamado simplesmente X-Men (sem interrupção do título tradicional, Uncanny X-Men), com roteiros de Chris Claremont e arte de Jim Lee.  Chris saiu após escrever os três primeiros números.  De 2001 a 2004, essa revista (X-Men) passou a se chamar New X-Men e em fevereiro de 2008, tornou-se  X-Men: Legacy .

Claremont voltou ao universo dos X-Men em julho de 2001, com X-Treme X-Men n°1.  Ele escreveu todos os 36 números dessa nova série, que perdurou até 2004.  Entre 2012 e 2013, a série foi relançada com roteiros de Greg Pak.

Em julho de 2004, Chris Claremont voltou novamente a Uncanny X-Men, e continuou a escrever até o n° 473 (agosto de 2006). O número final da revista foi o 544, de outubro de 2011.    Encerrava-se o chamado “Volume 1” do título.

De janeiro a dezembro de 2012, foi publicado o “Volume 2”,  com roteiros de Kieron Gillen e, em janeiro de 2013, Uncanny foi relançada como parte da iniciativa Marvel NOW, e continua até hoje, em maio de 2014.  É o chamado “Volume 3” da revista. 

De todo esse material, o de Claremont chama atenção por causa da longa relação entre o autor e os personagens – os quais ele soube desenvolver e explorar como poucos.   Foi dessa fase que saíram alguns dos momentos mais marcantes dos X-Men, como os ciclos de histórias que ficaram conhecidos como “A Saga da Fênix Negra”, “Dias de Um Futuro Esquecido” (que agora foi adaptada para o cinema), e “A Queda dos Mutantes”.  Em contrapartida, surgiu uma dificuldade: as histórias foram ficando tão complexas, tão cheias de idas e vindas, com tantas referências internas, que corriam o risco de afastar novos leitores – ainda mais naqueles tempos sem Internet, onde o máximo que alguém poderia fazer para se atualizar era tentar comprar números anteriores numa loja de gibis (que até hoje são raras no Brasil) ou perguntar aos amigos o que estava acontecendo.  

Um exemplo que deixa marcas até hoje é a morte de Jean Grey, a Garota Marvel, mostrada em X-Men 137 (dezembro de 1980). Alguns anos depois, surge uma sósia (na verdade, clone) da personagem: é Madelyne Prior (Uncanny X-Men 168, de abril de 1983).  A própria Jean reaparece em Fantastic Four 286, de janeiro de 1986, onde ficamos sabendo que ela não havia morrido.  Por fim, em New X-Men 150 (fevereiro de 2004), Jean morre de maneira definitiva - até o momento...

Essas reviravoltas são comuns quando se trata de X-Men - sendo que, 25 anos depois de Madelyne cruzar o caminho dos heróis mutantes pela primeira vez, ela aparentemente volta no n° 503 de Uncanny X-Men (dezembro de 2008), envolta em muita especulação do público quanto ao fato de ser a “verdadeira” personagem ou alguma outra entidade.    Falar sobre Jean Grey e Madelyne Prior para alguém que esteja começando agora a ler quadrinhos pode levar tempo. 

Outro exemplo interessante: em 1986 surgiu o título X-Factor, com uma equipe formada pelos X-Men originais (Fera, Anjo, Homem de Gelo, Cíclope e Garota Marvel), que foi agregando outros personagens.  E, em 2005, foi lançado um novo ­X-Factor, que agora era uma espécie de agência de detetives mutantes, com personagens diferentes.


É por essas e por outras que a leitura de gibis é um hobby, mais do que a simples atividade de ler.  É como acompanhar os jogos de um time, as trocas de técnicos e jogadores, a atuação dos árbitros e sem perder de vista o plano geral do campeonato.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Sobre os quadrinhos

Os quadrinhos não são um gênero de entretenimento: são, na verdade, uma mídia, um meio de divulgação – assim como o teatro, o cinema e a televisão.  Dizer “eu gosto de quadrinhos” é como dizer “eu gosto de teatro”: estamos falando de um veículo, e não de um estilo em si.  Esse veículo pode servir ao drama, à aventura, a pornografia, à comédia ou a qualquer outro gênero.

O americano Will Eisner (1917-2005), artista genial e sensível, mostrou que os quadrinhos  prestam-se a narrativas poéticas, dramáticas e profundas.  O sucesso das aventuras do justiceiro Spirit (desenhadas de forma magistral e inovadora) abriu caminho para as obras dramáticas que consagraram Eisner como um grande autor – a exemplo daquelas reunidas na excelente antologia New York, que mostra a solidão, os desencontros e os anseios de moradores de uma cidade grande.  

O canadense Guy Delisle chega às raias do estudo antropológico com álbuns sobre suas viagens, onde ele narra as diferenças culturais que encontrou ao redor do mundo.  Os desenhos aparentemente simples mas altamente expressivos combinam com a atmosfera das histórias e funcionam como um perfeito complemento para a narrativa.
O maltês-americano Joe Sacco usa os quadrinhos como forma de jornalismo.  Seus temas recorrentes são a Guerra da Bósnia e os conflitos sociais, políticos e culturais entre palestinos e árabes no Oriente Médio.   Sacco ganhou diversos prêmios, como o American Book Award de 1996 pelo álbum Palestina, onde narra suas viagens por Israel, Cisjordânia e a Faixa de Gaza em 1991 e 1992.  O livro retrata suas conversas com os habitantes da região - principalmente palestinos que viviam em péssimas condições.  São pessoas comuns – não necessariamente terroristas ou políticos – que estavam vivendo na pobreza, prejudicados pela burocracia e sentindo-se injustiçados. 

Outro exemplo que não poderia faltar é do também americano Art Spiegelman, ganhador do prêmio Pulitzer por Maus (“camundongos”, em alemão no original): uma história do holocausto, contada pelo pai do autor, que foi sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz.  Na história, os judeus são representados como camundongos, e os alemães, como gatos.  Apesar do toque aparentemente infantil, a trama é pesada e mostra todo o sofrimento, os conflitos, o desespero, a dor dos perseguidos, os meios utilizados para a sobrevivência – e até mesmo as marcas que esse processo deixou no pai do autor. 

Jean Giraud (1938-2012) foi um dos grandes quadrinistas franceses e, possivelmente, um dos melhores do mundo.   Ilustrou a famosa série Blueberry, ambientada no Velho Oeste, e, sob o pseudônimo de Moebius, produziu uma vasta obra de fantasia e ficção científica – que, felizmente, vem sendo publicada no Brasil pela Editora Nemo em excelentes edições encadernadas.  Em colaboração com Stan Lee, criou uma minissérie vencedora do Prêmio Eisner sobre o Surfista Prateado.     Seu talento foi admirado por cineastas como o italiano Federico Felini (diretor do clássico La Dolce Vita) e o inglês Ridley Scott (de Gladiador, Cruzada e Prometheus), além de escritores como William Gibson (autor de Necromancer, um marco da ficção científica).

Quadrinhos podem ser coisa séria.  Basta que o leitor abandone o preconceito.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

52 Anos de Quarteto Fantástico


1961.  A chamada “corrida espacial” estava em andamento: americanos e russos (ou melhor: soviéticos) disputavam a supremacia em termos de realizações espaciais.  Foi o ano do voo histórico de Yuri Gagarin, que se tornou o primeiro homem a viajar pelo espaço.
É nesse contexto que foi lançada a importantíssima revista Fantastic Four n°1, que apresentou ao mundo quatro personagens que tentaram ser os primeiros seres humanos a chegar ao espaço.  Os heróis sabiam da necessidade de mais pesquisas sobre os misteriosos “raios cósmicos” antes do lançamento, mas queriam ter a certeza de chegar ao espaço antes dos commies (termo pejorativo usado para designar comunistas.  Algo como “comunas”, em português).
Ironicamente, a revista foi lançada em novembro de 1961.  O voo de Gagarin ocorreu em 12 de abril daquele ano.   Naturalmente, quando Stan Lee e Jack Kirby produziram a obra, ninguém tinha ainda chegado ao espaço, mas a publicação foi ultrapassada pelos fatos.  Na prática, isso não fez muita diferença: a revista revolucionou o modo de contar histórias de super-heróis.
A Marvel era ainda um nome novo no mercado.  Embora a empresa fosse fruto da Atlas Comics (que, por sua vez, vinha da Timely Comics, fundada em 1939), os primeiros títulos com a “marca” Marvel foram editados poucos meses antes (Journey into Mystery n°69 e Patsy Walker 95, ambos datados de junho).  Nada de extraordinário até então - mas, com a estreia do Quarteto Fantástico, iniciava-se uma nova era para os quadrinhos. 
Os heróis, longe de serem perfeitos, eram como gente de carne e osso, com traços pouco invejáveis: Sue mostra um lado manipulador ao chamar Ben de covarde para convencê-lo a embarcar no foguete; Ben, por sua vez, é grosseiro e irritável, e chega a agredir Reed fisicamente.   Além disso, os personagens fazem coisas que trazem consequências ruins: basta dizer que o calor das chamas de Johnny (o Tocha Humana) incendeia aviões de caça americanos, e que Ben causa um acidente de trânsito ao sair do subterrâneo no meio de uma rua.
Até mesmo o vilão – o Toupeira – tinha um lado bem humano: era um homem feio e patético que decidiu isolar-se da sociedade por ter sido desprezado e humilhado. 
A narrativa  era não –linear e pouco convencional: contém um longo flashback e eventos que acontecem simultaneamente.

Todos esse fatores contribuíram para fascinar o público e chamar a atenção para a Marvel, que começava a firmar as características de uma editora moderna, inovadora e diferente.  O nome Marvel tornou-se uma verdadeira grife no mundo editorial, como se fosse uma Lacoste dos quadrinhos.  Consolidando essa posição, a empresa lançou, no ano seguinte, personagens como o Hulk (que estreou em The Incredible Hulk n° 1, de maio de 1962), Thor (Journey into Mystery n° 83, de agosto de 1962) e o Homem-Aranha (Amazing Fantasy n°15, de agosto de 1962).  Muitos outros personagens se seguiram, mas foi com o Quarteto que surgiu um novo conceito em termos de super-heróis.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Sopa de Letrinhas

Quase todo mundo já sabe que o genial Stan Lee gostava de criar personagens com iniciais repetidas.  Como ele próprio já explicou em diversas ocasiões, esse método facilitava seu trabalho porque, ao recordar um nome, ficava mais fácil lembrar do outro.  Essa repetição já foi tema de piadas no seriado The Big Bang Theory e não é nenhuma novidade.  De toda forma, achei que seria interessante listar alguns desses personagens - destacando que, em alguns, a repetição só ocorre em inglês, como no caso de Black Bolt.
Os nomes colocados entre aspas são apelidos, como “Pepper” (pimenta) Potts, a espevitada secretária de Tony Stark.

BETTY BRANT (do Clarim Diário)
BLACK BOLT / BLACKAGAR BOLTAGON (o Raio Negro do grupo dos Inumanos)
BRUCE BANNER (o Hulk)
CURT CONNORS (o Lagarto)
DUM DUM DUGAN (soldado que serviu sob as ordens de Nick Fury)
FANTASTIC FOUR (o Quarteto Fantástico)
FIN FANG FOOM (o monstro verde que apareceu primeiramente em Strange Tales #89 (outubro de 1961)
GREEN GOBLIN (o Duende Verde)
GREY GARGOYLE (o Gárgula Cinzento)
“HAPPY” HOGAN (assistente de Tony Stark)
J. JONAH JAMESON (diretor do Clarim Diário)
LIVING LASER (apresentado em Avengers n° 34, de novembro de 1966)
MATT MURDOCK (o Demolidor)
MOLTEN MAN (Magma: inimigo e, depois, amigo do Homem-Aranha)
OTTO OCTAVIUS (Dr. Octopus)
“PEPPER” POTTS (a secretária de Tony Stark)
PETER PARKER (o Homem-Aranha)
RANDY ROBERTSON  (filho do editor do Clarim Diário, Joseph “Robbie” Robertson”)  Apareceu primeiramente em The Amazing Spider-Man #67 (dezembro de 1968)
REED RICHARDS (o Sr. Fantástico)
SAMUEL “HAPPY SAM” SAWYER (assim como Dum Dum Dugan, Samuel Sawyer apareceu em Sgt. Fury and his Howling Commandos” n°1)
SCOTT SUMMERS (o Cíclope dos X-Men)
SILVER SURFER (o Surfista Prateado)
SINISTER SIX (o Sexteto Sinistro)
STEPHEN STRANGE (o Dr. Estranho)
SUSAN STORM (a Mulher Invisível)
WARREN WORTHINGTON III (o Anjo dos X-Men)

Alguns personagens até tinham outros nomes que fugiam à regra da repetição, mas esses nomes raramente eram mencionados: é o caso de Otto Gunther Octavius, Stephen Vincent Strange e Virginia “Pepper” Potts.

Stan Lee é um gênio que influenciou inúmeras vidas ao redor do mundo com seus personagens instigantes e profundamente humanos.  Nas décadas de 1960 e 1970, foi um verdadeiro diplomata dos quadrinhos, dando palestras em universidades e divulgando essa mídia para além das fronteiras usuais.
Mesmo aos 90 anos, continua cheio de energia: participa de convenções de quadrinhos; tem um canal no Youtube (Stan Lee's World of Heroes); aparece ocasionalmente em programas de TV (como Comic Book Men, de Kevin Smith, e The Big Bang Theory), além de fazer pequenas aparições nos filmes da Marvel.  Seu bom humor e sua empolgação com o trabalho são admiráveis.
Longa vida a Stan Lee, o mestre dos quadrinhos!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

As Faces da Fúria

Maio de 1963: estreia de Nick Fury.
Quando comecei a acompanhar as aventuras de Nick Fury, ele tinha cabelo grisalho, tapa-olho, roupa colante, patente de coronel e viva na época atual.  Era, portanto, diferente do conceito original dos mestres Stan Lee e Jack Kirby. 
Em sua estreia na revista Sgt. Fury and His Howling Commandos (maio de 1963), o herói era um sargento em ação na Segunda Guerra Mundial.  Tinha cabelos castanhos, enxergava bem com os dois olhos e, naturalmente, vestia-se como um sargento comum.  A aventura inaugural é instigante e envolve o resgate de um chefe da Resistência Francesa capturado pelos nazistas.  Pode ser encontrada na excelente coleção Marvel Essential, que publica volumosas coletâneas de quadrinhos por um preço relativamente baixo (embora em preto e branco).


Edição da série "Marvel Essential".
Reúne os números 1 a 23 de Nick Fury and his Howling Commandos,
além da edição anual n°1

Com o tempo, o personagem foi se modificando até alcançar as características que ficaram tão familiares para os leitores da minha geração.  As mudanças têm início quando Fury sofre graves ferimentos ao final da guerra na Europa e recebe um medicamento experimental que, além de curá-lo, prolonga sua vida.  Com o passar do tempo, o herói vai trabalhar no Office of Strategic Services, e continua no mesmo órgão quando este se transforma na Central Inteligence Agency (CIA).  Devido ao sucesso de suas missões de espionagem na guerra da Coreia, o sargento recebe uma promoção de combate e torna-se tenente.  Com o tempo, chega a coronel e torna-se diretor da S.H.I.E.L.D. – a fictícia agência do Universo Marvel.  A sigla, em inglês, corresponde a Supreme Headquarters, International Espionage, Law-Enforcement Division, depois modificada para Strategic Hazard Intervention Espionage Logistics Directorate.
Quando a Marvel criou o universo Ultimate, com versões modernizadas de seus personagens mais famosos, Nick Fury recebeu uma revisão radical: em vez de um homem branco, grisalho e com a barba por fazer, surge um homem negro, calvo e de cavanhaque, inspirado na aparência do ator Samuel L. Jackson.  Essa versão, mais moderna e carismática, foi a escolhida para aparecer em diversos filmes da Marvel, interpretada pelo próprio Jackson, que fez uma discreta aparição depois dos créditos finais dos filmes Homem de Ferro (2008), Thor (2011) e Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), além de ter participações maiores nos filmes Homem de Ferro 2 (2010) e Os Vingadores (2012).
Surgiu, então, um problema: os filmes poderiam atrair muitos leitores para as revistas Marvel, mas os novatos que comprassem as revistas da cronologia principal (que excluem o universo Ultimate) possivelmente iriam estranhar um Nick Fury tão diferente daquele do cinema.  Como fazer para unificar a aparência do personagem?
A solução foi criativa: surge o sargento Marcus Johnson, um Ranger do exército americano servindo no Afeganistão que, no final das contas, era Nicholas Fury Jr. – filho do "original", e com o mesmo visual do Nick Fury do cinema e do universo Ultimate.   O personagem é apresentado ao público na minissérie Battle Scars, lançada de janeiro a junho de 2012 nos Estados Unidos, e em janeiro de 2013, no Brasil, em volume único (Avante, Vingadores! 57).
É o caso do texto que inspira o filme que inspira o texto...